Aqui vai mais um pequeno trecho de meu livro AMOR E GUERRA EM VALE MANSO:
Agora a espera prudente deu lugar a intensa troca de tiros. Os disparos, porém, se davam na escuridão e sem que ninguém pudesse vislumbrar sequer a localização dos rivais. Os invasores abateram mais um. Tratava-se do Mosquito, um dos mais queridos companheiros da vila. Do meio da escuridão rugiu uma voz prontamente identificada por todos: Filhos da puta! Mataram o Mosquito! Atira, gente, atira! A gente tem que acabar com esses filhos da puta! E ele próprio, Gabriel, como um bicho brabo, avançava rastejando e atirando em tudo que se movia a sua frente. Seu ódio não tinha limites. Abateu dois inimigos e seguiu atirando. Seus companheiros o imitavam. E não havia mais silêncio, só gritos e disparos de ambos os lados. De cada garganta brotava gritos de ódio que assustavam os invasores e atiçava o desejo de luta dos habitantes da vila.
As mulheres foram se aproximando de seus companheiros, todas de armas em punho, ocultas entre arbustos, imitando os outros.
Os disparos prosseguiam e, de ambos os lados, de vez em quando se perdia um ou outro homem. As sombras dificultavam a identificação dos esconderijos. Gabriel insistia com seus gritos, incentivando os companheiros. Seu ódio não se arrefecera. Em dado momento, alguém gritou ao seu lado, como se o imitasse: Vamos acabar com esses filhos da puta! Fogo neles, gente! Ele prontamente reconheceu aquela voz. Tratava-se de seu amigo Getúlio. Uma presença inesperada que aumentou ainda mais o ânimo do amigo.

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