(Mais um trecho de AMOR E GUERRA EM VALE MANSO)
Às onze e pouco da noite, suspirou pela última vez e partiu.
Na sexta-feira à tarde, procedeu-se ao enterro. Cumpriram o seu desejo de ser enterrado na cova que ele mesmo abrira. Porém, deram-lhe o direito a um caixão, que encomendaram direto de Santa Amália. Na funerária de Vale Manso não havia nenhum cujas dimensões fossem adequadas ao pequeno corpo de sô Juquinha, e queriam retirá-lo do postinho o mais cedo possível. Levaram-no para a fazenda de sô Janjão sem fazer muito alarde, evitando que uma multidão comparecesse à cerimônia fúnebre – o que estaria em desacordo com a vontade do morto.
Compareceram somente os amigos mais chegados, além do padre Antero – a quem sô Janjão achou por bem avisar – e o andarilho e filósofo Asdrúbal Campobello. Este, por acaso, perambulava pelas imediações da fazenda quando chegaram com o defunto. Quando o caixão desceu à cova, ele, mão no queixo, pensativo, o olhar distante, deixou escapar com voz soturna: Não se enganem: não se enterram pessoas, enterram-se casulos.
Caixão deposto no fundo da cova. Terra jogada por cima. Flores. Soluços. Singela oração do padre. Fisionomias consternadas. Silêncio na caminhada de volta. Enterrou-se a casca de sô Juquinha.

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Um abraço,
Durval Augusto Jr.
