(Mais um trecho de meu novo livro)
— Não, sô Janjão, fique sossegado. A primeira novidade é que eu vou morrer quinta-feira – e sô Juquinha disse aquilo com tal naturalidade que era como se ele tivesse o hábito de morrer toda semana.
— Quê isso, amigo! Isso é loucura…
— Não, sô Janjão, eu sei que vou morrer quinta-feira.
— Mas como isso é possível?!
— Me avisaram. Alguém do outro lado me avisou.
— Que outro lado?
— O outro lado… O lado dos que já foram. Um amigo de lá apareceu pra mim e me disse que a minha hora chega na quinta-feira. Mas não se preocupe, sô Janjão: já providenciei tudo. Vim apenas pedir ao senhor o favor de me enterrar. Já fiz uma cova lá no meu quintalzinho. Ficou bem caprichada. É só me botar lá dentro e jogar a terra por cima. Não carece nem de caixão. O corpo da gente daí a pouco apodrece mesmo, né… E a alma sobe rapidinho pro outro mundo. Bobagem gastar com caixão.

Aguarde o lançamento. A data e o local serão anunciados em breve. Publicação pela Páginas Editora e com prefácio da escritora e jornalista Jalmelice Luz.
