Rogério Salgado fala sobre meu novo livro

Por Rogério Salgado *

Conheci Durval Augusto Jr. em 1999. Então editor de livros da Editora Jornal da Floresta, o recebi com a proposta de publicar seu primeiro livro “Fernando Capeta Urubu”, título com certeza inspirado no clássico “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach. O tempo passou e fui, de longe, acompanhando a trajetória literária desse autor, suas decepções, assim como seu crescimento com a literatura. Hoje recebo seu último livro “Amor e Guerra em Vale Manso”, o sétimo de uma carreira promissora, no qual observamos uma narrativa em que temas como política, crimes, paixão e até mesmo a religiosidade espiritual vão crescendo a cada página virada.

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No tempo dessa história, o país vive momentos confusos e pelo que se nota, em plena ditadura militar brasileira, nos tempos do polarizado ARENA e MDB. Gabriel, um homem simples, isolado pelos pais na sua infância e que sempre teve problemas com as mulheres na sua vida pessoal, sai em busca de suas próprias descobertas, pega a estrada, abandonando a cidade grande na qual sempre vivera, inclusive um amor conturbado que não deu certo, na imagem de Patrícia, que mais tarde infernalizaria sua vida e vai em busca de novos horizontes, arriscando tudo sem saber o que lhe vem pela frente. Em Vale Manso, cidadezinha interiorana de Minas Gerais e que o acolhe de braços abertos, conhece Matheus e sem saber o porquê, se envolve com esse personagem e se apaixona por Júlia, que gostava de amar no mato, insegura e confusa, que tem visões com seu avô já falecido, com ela se casando e constituindo família e filhos.

Ao longo da história, Gabriel vai simpatizando amigos e angariando inimigos, principalmente políticos, numa cidade na qual ainda impera o coronelismo, misturando sua vida amorosa com as pretensões econômicas e políticas daquele lugar e é nesse ambiente tenso e pesado que se constrói o romance. Pela trajetória passam personagens comuns e outros que nos chamam a atenção, tais como: Murilo, Ivan, Renato, Ricardo, Sô Janjão, Miguilim, Galdino, Kud Galinha, Sô Pedrim do Bar, Sô Haroldo, João Trovoada e Geraldo Toco, além do poeta andarilho Asdrúbal Campobello, da Dona Maria e sua tristeza infinita, e o misterioso Sô Juquinha, que realiza a cura de Dona Marlene e prevê que morreria numa quinta-feira. Ali desenvolve-se seu projeto — que coincidentemente passa pelo socialismo — de criar uma comunidade na qual todos se beneficiam sendo sócios do projeto e por isso recebe críticas do jornal Gazeta de Vale Manso, que tem como editor Pedro Paulo, irmão do ex-prefeito. Daí nasce a Vila Esperança, uma comunidade humana aos extremos. A revelação de Dona Marlene no leito de morte, que mudaria os rumos da história, a fuga insegura de Júlia e o reencontro dos dois em meio a um ambiente de amor e guerra.

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Segundo o autor, as primeiras versões da escrita do romance tiveram início ainda nos anos 1980, mas foi nos últimos dois anos que ele coletou os aspectos políticos para escrever seu livro. “Eu me lembrei da dicotomia entre MDB e ARENA dos anos 1960 e trouxe para a obra, porque hoje vivemos isso. Quando o personagem cria uma comunidade com valores diferentes ele vai se opor aos donos do poder”, afirma o escritor. E com certeza, há sim uma aparente coincidência com a nossa realidade atual, na qual dois políticos se enfrentaram neste final de 2022. Em meio a uma ameaça à democracia, observamos um ex-presidente acusado de corromper o país e que teve um julgamento parcial e por isso sua prisão legalmente anulada, mas que tem uma política voltada para os mais humildes, eleito novamente numa eleição segura e esse mesmo candidato eleito sendo chamado de comunista, enquanto o que anteriormente sentara na cadeira do poder, nutre simpatias pela ditadura e a tortura, a não educação e a não cultura, e é agraciado como herói nacional por conservadores fanáticos e até religiosos, em nome de Deus.

Comparável a Roberto Drummond e Oswaldo França Júnior em qualidade literária, não em estilo, pois cada um tem seu próprio estilo, o autor em “Amor e Guerra em Vale Manso” usa de uma escrita simples, sem ser popularesca, e envolve o leitor da primeira à última página e pode ser, caso seja do interesse de sua editora, forte concorrente ao Prêmio Jabuti 2023. “Amor e Guerra em Vale Manso” sai pela Páginas Editora, que vem publicando autores consagrados, a exemplo de Milton Hatoum com o livro “Sete Crônicas”, assim como também novos autores em busca de um lugar ao sol. A Páginas Editora foi criada pela jornalista e escritora Leida Reis, inspirada no seu amor pelos livros e pela crença na realização dos sonhos, e se abre para novos horizontes literários.

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Durval Augusto de Souza Junior nasceu numa família pobre e passou a infância no Bairro Sion, em Belo Horizonte, bem próximo ao Morro do Papagaio. Menino solitário e quieto, muito cedo cultivou o hábito de ficar a sós com seus fantasmas. Daí para a produção literária teria sido apenas um pulo, não fosse a necessidade de trabalhar e ajudar seus pais. Cursou Psicologia na PUC-MG e atuou como psicólogo clínico por onze anos na Saúde Pública. Foi então trabalhar como revisor de textos no Poder Judiciário, onde permaneceu até se aposentar em 2012. Mas a produção literária começou muito antes disso. Já nos anos 1980, começou a escrever os primeiros textos, que foi guardando. Em 1999 saiu o primeiro livro “Fernando Capeta Urubu”, que teve a segunda edição em 2011. Em 2006, veio a público o romance “Almas Tontas”, pela Editora Armazém de Ideias. Em 2011, publicou o romance “Sem Paredes”, pela Alfstudio Produções. Em 2016, saiu o seu primeiro livro de contos, “A Aljava de Cupido”, pela Scortecci Editora. Em 2017, veio à tona a segunda coletânea de contos, “Quero Matar o Prefeito”, também pela Scortecci. Ainda pela Scortecci sai em 2020 o livro de astrologia “Desvendando a Linguagem dos Astros — o ABC para entender e interpretar mapas astrais”.

“Amor e Guerra em Vale Manso” é um dos possíveis clássicos da nossa contemporânea literatura brasileira, para crítico nenhum botar defeito. Livro que merece ser lido em conta gotas, desvendando as sensações humanas de cada personagem que encontramos em suas páginas.

O volume vem com capa de Ingrid Lacerda e o prefácio é da escritora e jornalista Jalmelice Luz. “Amor e Guerra em Vale Manso” está disponível no site www.paginaseditora.com.br, nos sites da Amazon, da Magalu ou diretamente com o autor pelo WhatsApp  (31) 99316-9712 e pelo e-mail: durvalescritor@gmail.com.

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​* Rogério Salgado é poeta com 48 anos de carreira e é autor de entre outros, “Naqueles Tempos da Arte Quintal”, “Volúvel Fado” e “Agnus”.

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Durval Augusto Jr.

Mineiro de Belo Horizonte, Durval Augusto Jr. é formado em Psicologia pela PUC-MG e trabalhou como psicólogo clínico por onze anos. Em seguida migrou para a Justiça Eleitoral, onde atuou como revisor de textos até se aposentar em 2012. Há muitos anos vem produzindo literatura e já publicou as seguintes obras: Fernando Capeta Urubu (fábula – 1999); Almas Tontas (romance – 2006); Sem Paredes (romance – 2011); A aljava de Cupido (contos – 2016); Quero matar o prefeito (contos - 2017); Desvendando a linguagem dos astros – o ABC para entender e interpretar mapas astrais (Astrologia - 2019); e Amor e guerra em Vale Manso (romance – 2022). Outros dois livros estão sendo preparados para publicação em breve.

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