
“Eu gosto de admirar Deus, e é assim que aproveito a vida, é assim que me sinto feliz. Observar Deus: eis minha diversão predileta. Mesmo quando eu observava vocês, ali de minha mesa, eu de certa forma observava Deus. Nada pode estar fora de Deus. Mas há maneiras mais agradáveis de observar Deus do que acompanhando de longe o bate-papo de três idiotas como vocês, claro. Por exemplo: quando alguém vê uma flor e fica feliz ao presenciar sua beleza, essa pessoa está observando Deus. E não é a flor que fez a pessoa se sentir feliz, é a própria pessoa que se fez feliz ao ver a flor. Poderia ser uma pedra, e a pessoa se sentiria feliz também – pela sua capacidade de observar Deus (na flor, na pedra, na montanha, na superfície do mar, no canto do pássaro…). Aliás, nada que vem de fora é capaz de nos fazer feliz, a felicidade vem de dentro de nós ou não vem de lugar nenhum. Deus está em tudo, inclusive dentro de todos nós, mas se não nos conectamos com ele… É uma questão de estar consciente. A consciência é a chave… Bem, acho que talvez eu não esteja mais falando coisa com coisa, daqui a pouco começo a misturar tudo. A solidão costuma deixar o sujeito tagarela.“
O texto acima é a fala de um dos personagens de meu próximo livro. Ele tem 90 anos, e, nessa cena, dialoga com três jovens.
Eu também gosto de observar Deus.

Durval Augusto Jr. já publicou os seguintes livros: Fernando Capeta Urubu (fábula), 1999, Editora Jornal da Floresta, Belo Horizonte; Almas Tontas (romance), 2006, Editora Armazém de Ideias, Belo Horizonte; Sem Paredes (romance), 2011, Alfstudio Produções, Belo Horizonte; A aljava de Cupido (contos), 2016, Scortecci Editora, São Paulo; Quero matar o prefeito (contos), 2017, Scortecci Editora, São Paulo; Desvendando a linguagem dos astros (Astrologia), 2019, Scortecci Editora, São Paulo; e Amor e guerra em Vale Manso (romance), 2022, Páginas Editora, Belo Horizonte.
