
O Tadeu, quando bebia, pegava a falar pelos cotovelos. Quando sóbrio, mal se dirigia às pessoas. Todo mundo em São José conhecia seu jeito esquisito. Quando, após umas e outras, começava a dizer que ia matar, fazer e acontecer, ninguém o levava a sério.
Mas nos últimos tempos a população estava assustada. Assassinatos ocorriam na calada da noite. Cada cidadão agora era um detetive. Alguns, também suspeitos.
Um deles era o pobre do Tadeu, devido à mania falar bobagens quando bebia. O delegado torrava os neurônios dia e noite, tentando desvendar o mistério.
Havia outros suspeitos. Um deles, o próprio prefeito. Precisava, diziam as más línguas, justificar a construção – já apalavrada com uma empresa do ramo – de um novo cemitério. Era necessário que morresse mais gente no município. O vereador de oposição Chico Pereira, amigo, por sinal, do Tadeu, era um dos que defendiam essa tese. Muitas vezes bebiam juntos ele e o Tadeu, e o assunto dos dois – como, aliás, de toda a cidade – eram as mortes cada vez mais frequentes.
Os que defendiam o prefeito acusavam…
Trecho de meu conto Bicho da Noite. A íntegra estará em novo livro.

Durval Augusto Jr. já publicou os seguintes livros: Fernando Capeta Urubu (fábula), 1999, Editora Jornal da Floresta, Belo Horizonte; Almas Tontas (romance), 2006, Editora Armazém de Ideias, Belo Horizonte; Sem Paredes (romance), 2011, Alfstudio Produções, Belo Horizonte; A aljava de Cupido (contos), 2016, Scortecci Editora, São Paulo; Quero matar o prefeito (contos), 2017, Scortecci Editora, São Paulo; Desvendando a linguagem dos astros (Astrologia), 2019, Scortecci Editora, São Paulo; e Amor e guerra em Vale Manso (romance), 2022, Páginas Editora, Belo Horizonte.
