Ela viveu quase um século. Merecia ter vivido mais. Ou, talvez, devêssemos nos perguntar: nós merecemos Lígia Fagundes Telles? Na minha opinião, trata-se de uma das maiores, se não a maior, contista brasileira. Seus textos são exemplos do que há de mais desconcertantemente belo. Sim, a beleza pode ser desconcertante quando desafia nossos viciados padrões estéticos.
Hoje quero me referir especificamente ao seu conto Seminário dos Ratos. A leitura desse conto deveria ser obrigatória nas escolas. Aliás, não apenas a leitura, mas que essa leitura fosse seguida de pelo menos um encontro entre alunos e professor para que pudessem fazer uma reflexão crítica (e estética, pois se trata de um dos primores da literatura brasileira) sobre o significado e o alerta presentes no texto.
Ratos se proliferam e tomam conta da vida pública quando a população escolhe mal seus representantes. Ratos travestidos de homens. No conto, um deles “ficou de pé na pata traseira e me enfrentou feito um homem” – conta um dos personagens.
Ratos costumam usar terno e gravata, fiquemos atentos.

Durval Augusto Jr. já publicou os seguintes livros: Fernando Capeta Urubu (fábula), 1999, Editora Jornal da Floresta, Belo Horizonte; Almas Tontas (romance), 2006, Editora Armazém de Ideias, Belo Horizonte; Sem Paredes (romance), 2011, Alfstudio Produções, Belo Horizonte; A aljava de Cupido (contos), 2016, Scortecci Editora, São Paulo; Quero matar o prefeito (contos), 2017, Scortecci Editora, São Paulo; Desvendando a linguagem dos astros (Astrologia), 2019, Scortecci Editora, São Paulo; e Amor e guerra em Vale Manso (romance), 2022, Páginas Editora, Belo Horizonte. Outros dois livros estão sendo preparados para publicação em breve.
