A vida é uma sucessão de inevitáveis adeuses. Ela já começa com um adeus: o adeus ao útero materno. Em seguida vem o adeus ao seio da mãe, depois o adeus ao colo; um tempo depois, o adeus ao doce aconchego da família, quando começamos a enfrentar o mundo lá fora. E os adeuses vão se sucedendo. E a cada um deles corresponde um luto, um período – curto, médio ou longo – de que necessitamos para nos refazermos da perda.
Existem adeuses bem singelos, que muitas vezes nos passam despercebidos, como quando nos desfazemos de objetos que não mais nos servem, mas aos quais por algum motivo nos apegamos. O luto provocado por adeuses desse tipo costumam durar não mais que alguns minutos. Outros lutos, como por exemplo aquele provocado pela perda de entes queridos, é claro, podem durar tempo muito mais extenso.
Seja como for, adeuses são inevitáveis. Consequentemente, processos de luto também o são. No entanto, eles nos fortalecem quando conseguimos suportar seu impacto. Por meio de sua vivência, tornamo-nos conscientes da condição efêmera de todas as coisas e situações que nos cercam, de tudo que faz parte do mundo da matéria. E o incremento de nossa consciência pode nos aliviar da ilusória necessidade de nos apegarmos a valores fugazes. O apego aprisiona e fere; a consciência liberta.

Durval Augusto Jr. já publicou os seguintes livros: Fernando Capeta Urubu (fábula), 1999, Editora Jornal da Floresta, Belo Horizonte; Almas Tontas (romance), 2006, Editora Armazém de Ideias, Belo Horizonte; Sem Paredes (romance), 2011, Alfstudio Produções, Belo Horizonte; A aljava de Cupido (contos), 2016, Scortecci Editora, São Paulo; Quero matar o prefeito (contos), 2017, Scortecci Editora, São Paulo; Desvendando a linguagem dos astros (Astrologia), 2019, Scortecci Editora, São Paulo; e Amor e guerra em Vale Manso (romance), 2022, Páginas Editora, Belo Horizonte. Outros dois livros estão sendo preparados para publicação em breve.
