Sobre o conto UM CASO DE VINGANÇA E RISO

(Décimo primeiro conto de BRASA TEIMOSA)

(Djalma e Celso vinham sempre me visitar. Celso rolava de rir das histórias do outro.

   Mas aquela noite o Djalma chegou com o semblante carregado. A voz era só um fiapo. Deixou-se cair no sofá. Recusou cerveja. Queria nos contar algo.

   – O que houve, Djalma?

   – Gente, preciso contar uma coisa, ele disse, rosto grave. Há muitos anos um menino franzino e triste foi admitido numa escola no interior. O calhorda do professor o perseguia; arrumava pretextos para humilhá-lo. O pobrezinho não passava um dia sem levar cascudos. O diabo do homem o xingava e lhe punha apelidos ridículos. De nada adiantava o coitado se esforçar, fazer todos os deveres, comportar-se. Não evitava o tratamento desumano.

   – Em que cidade foi isso?

   – Depois eu digo, Celso; vai escutando. Aquele cisquinho de gente só teve sossego depois que o professor se mudou. Mas não esqueceu. Na adolescência, soube que o crápula era ninguém menos que seu pai, ex-amante de sua mãe. Ela, por sua vez, faleceu quando o menino engatinhava. Ele foi viver com os tios, que o colocaram na tal escola. O professor, uma cavalgadura que mal sabia o beabá, tinha acompanhado de longe o menino, odiando-o como odiara a mulher. Não perdeu chance de humilhá-lo.

   – Mas o que isso tem a ver com sua esquisitice?

   – Calma, gente, eu chego lá (e o Djalma tinha a voz embargada). O menino cresceu. Nele também cresceu o desejo de vingança. Levava vida normal, mas bolava o fim da vida do outro. Acompanhou, anos a fio, os movimentos do professor. Bem, hoje ele fez o que tinha de fazer. Desesperado, precisa escapar ao flagrante…)

(Trecho do conto UM CASO DE VINGANÇA E RISO, do meu novo livro, BRASA TEIMOSA, a ser publicado em breve.)

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Durval Augusto Jr.

Mineiro de Belo Horizonte, Durval Augusto Jr. é formado em Psicologia pela PUC-MG e trabalhou como psicólogo clínico por onze anos. Em seguida migrou para a Justiça Eleitoral, onde atuou como revisor de textos até se aposentar em 2012. Há muitos anos vem produzindo literatura e já publicou as seguintes obras: Fernando Capeta Urubu (fábula – 1999); Almas Tontas (romance – 2006); Sem Paredes (romance – 2011); A aljava de Cupido (contos – 2016); Quero matar o prefeito (contos - 2017); Desvendando a linguagem dos astros – o ABC para entender e interpretar mapas astrais (Astrologia - 2019); e Amor e guerra em Vale Manso (romance – 2022). Outros dois livros estão sendo preparados para publicação em breve.

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