Um pouco do décimo segundo conto de BRASA TEIMOSA

(Vô Pedro era um velho espevitado. Inquieto, olhos vivos, irreverente. Basta, branca e longa cabeleira emoldurava-lhe o rosto enrugado, mas rijo. Fã dos Beatles, Rolling Stones e de todas as principais bandas de rock dos anos 1960.  Às vezes empunhava a guitarra, recordando músicas daquele tempo.

   Morava apenas com Nicole, a neta, até o dia em que esta, casando-se, veio propor-lhe:

   – Vem com a gente pra BH, vô!

   – Não, vou ficar em Montes Claros mesmo. Meu lugar é aqui. Não se preocupe, Nicole, eu me viro. O dia que eu cismar, eu vendo esta casa, pego minha guitarra, esse porcaria desse gato que não me larga, e me mudo pro asilo. Chego lá e sacudo a preguiça daquela velharia – e vô Pedro riu divertido enquanto passava a mão de leve sobre o pelo de Napoleão, o gato.

   Não deu outra. Vô Pedro vendeu a casa.  Apresentou-se no asilo com uma pequena mala e as companhias de Napoleão e a guitarra.)

   Estes são os primeiros parágrafos do conto BRASA TEIMOSA, décimo segundo conto do livro de mesmo título, a ser lançado em breve.

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Durval Augusto Jr.

Mineiro de Belo Horizonte, Durval Augusto Jr. é formado em Psicologia pela PUC-MG e trabalhou como psicólogo clínico por onze anos. Em seguida migrou para a Justiça Eleitoral, onde atuou como revisor de textos até se aposentar em 2012. Há muitos anos vem produzindo literatura e já publicou as seguintes obras: Fernando Capeta Urubu (fábula – 1999); Almas Tontas (romance – 2006); Sem Paredes (romance – 2011); A aljava de Cupido (contos – 2016); Quero matar o prefeito (contos - 2017); Desvendando a linguagem dos astros – o ABC para entender e interpretar mapas astrais (Astrologia - 2019); e Amor e guerra em Vale Manso (romance – 2022). Outros dois livros estão sendo preparados para publicação em breve.

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