(Décimo quinto conto do livro BRASA TEIMOSA)
(Depois de horas bebendo com o Rogerim, o Magrão saiu do bar convencido de que o amigo tinha razão: o negócio era deixar de ser mané e arrumar um jeito de se dar bem à custa dos otários. Afinal, o que não falta no mundo é otário, e ele mesmo vinha sendo um deles até aquela noite. Trabalhava o dia todo e ganhava aquela miséria, andando de ônibus, atravessando a cidade para se enfiar numa empresazinha de merda lá na casa do caralho!
Não! Chega! Agora vai ser diferente – dizia a si mesmo.
Antes de entrar em casa, passou, conforme conselho do Rogerim, na casa do Afonso. Queria saber se ele ainda tinha o revólver Taurus.
– Tenho – disse o Afonso; olha só, tenho também esta semiautomática!
– Deixa disso, cara! Eu só quero mesmo o revólver.
– Cê não vai fazer besteira não, né?
– Não, tranquilo, cara. Mas o problema é que… Sabe, Afonso, eu tô sem grana. Será que posso pagar depois?
– Ah, não! Não dá. Faz o seguinte, me dá esse relógio e essa jaqueta, e fica pago.
– Fechado.
Pegou o Taurus e andou mais alguns passos até entrar em casa. Tomou um…)
Trecho do conto SANGUE BOM, de meu livro BRASA TEIMOSA.
