SANGUE BOM

(Décimo quinto conto do livro BRASA TEIMOSA)

(Depois de horas bebendo com o Rogerim, o Magrão saiu do bar convencido de que o amigo tinha razão: o negócio era deixar de ser mané e arrumar um jeito de se dar bem à custa dos otários. Afinal, o que não falta no mundo é otário, e ele mesmo vinha sendo um deles até aquela noite. Trabalhava o dia todo e ganhava aquela miséria, andando de ônibus, atravessando a cidade para se enfiar numa empresazinha de merda lá na casa do caralho!

   Não! Chega! Agora vai ser diferente – dizia a si mesmo.

   Antes de entrar em casa, passou, conforme conselho do Rogerim, na casa do Afonso. Queria saber se ele ainda tinha o revólver Taurus.

   – Tenho – disse o Afonso; olha só, tenho também esta semiautomática!

   – Deixa disso, cara! Eu só quero mesmo o revólver.

   – Cê não vai fazer besteira não, né?

   – Não, tranquilo, cara. Mas o problema é que… Sabe, Afonso, eu tô sem grana. Será que posso pagar depois?

   – Ah, não! Não dá. Faz o seguinte, me dá esse relógio e essa jaqueta, e fica pago.

   – Fechado.

   Pegou o Taurus e andou mais alguns passos até entrar em casa. Tomou um…)

   Trecho do conto SANGUE BOM, de meu livro BRASA TEIMOSA.

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Durval Augusto Jr.

Mineiro de Belo Horizonte, Durval Augusto Jr. é formado em Psicologia pela PUC-MG e trabalhou como psicólogo clínico por onze anos. Em seguida migrou para a Justiça Eleitoral, onde atuou como revisor de textos até se aposentar em 2012. Há muitos anos vem produzindo literatura e já publicou as seguintes obras: Fernando Capeta Urubu (fábula – 1999); Almas Tontas (romance – 2006); Sem Paredes (romance – 2011); A aljava de Cupido (contos – 2016); Quero matar o prefeito (contos - 2017); Desvendando a linguagem dos astros – o ABC para entender e interpretar mapas astrais (Astrologia - 2019); e Amor e guerra em Vale Manso (romance – 2022). Outros dois livros estão sendo preparados para publicação em breve.

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