“O Tadeu, quando bebia, pegava a falar pelos cotovelos. Quando sóbrio, mal se dirigia às pessoas. Todo mundo em São José conhecia seu jeito esquisito. Quando, após umas e outras, começava a dizer que ia matar, fazer e acontecer, ninguém o levava a sério.
Mas nos últimos tempos a população estava assustada. Assassinatos ocorriam na calada da noite. Cada cidadão agora era um detetive. Alguns, também suspeitos.
Um deles era o pobre do Tadeu, devido à mania falar bobagens quando bebia. O delegado torrava os neurônios dia e noite, tentando desvendar o mistério.
Havia outros suspeitos. Um deles, o próprio prefeito. Precisava, diziam as más línguas, justificar a construção – já apalavrada com uma empresa do ramo – de um novo cemitério. Era necessário que morresse mais gente no município. O vereador de oposição Chico Pereira, amigo, por sinal, do Tadeu, era um dos que defendiam essa tese. Muitas vezes bebiam juntos ele e o Tadeu, e o assunto dos dois – como, aliás, de toda a cidade – eram as mortes cada vez mais frequentes.
Os que defendiam o prefeito acusavam Chico Pereira. Diziam que este, para incriminar o chefe do executivo, usava o pobre do Tadeu para perpetrar aqueles crimes. Afinal, afirmavam, o Tadeu só falava de morte e violência. Ninguém em São José podia ser mais assassino do que ele!…”
(Trecho do último timo conto do livro BRASA TEIMOSA, a ser lançado em breve)
