“Sô Geraldo não queria que a filha Madalena se casasse com o Fernando, filho justamente do Jerônimo, seu desafeto. O Jerônimo também não concordava com o casamento.
Sô Geraldo disse à filha uma tarde: Se você se casar com ele, pode esquecer que sou seu pai. E vai ter que morar no mato!
O Jerônimo também disse ao filho uma tarde: Se você se casar com ela, pode esquecer que sou seu pai. E vai ter que morar no mato!
Como, nesses casos, Cupido sempre vence, casaram-se. Foram morar numa tapera solitária à beira do rio.
Havia por ali um barco abandonado. Com ele o casal se deslocava em busca de víveres no povoado próximo. Fernando tentou usá-lo também para pescar. Mas suas buscas eram vãs, quase não havia peixes. O jeito era cultivar legumes e verduras, criar galinhas e porcos. Vendiam os produtos no povoado. Com o dinheiro, compravam mantimentos, roupas, calçados, remédios etc.
Madalena ficou grávida. Tinha enjoos e desejos estranhos, como o de comer terra e rolhas de garrafa. Nos primeiros meses, não pôde sair de barco com o marido, devido às ânsias de vômito. Depois retomou a rotina.
Certa madrugada Madalena acordou Fernando com seus gemidos. Tinha chegado a hora. Nos arredores da tapera não havia parteira – aliás, não vivia ninguém por ali. Tinham de ir às pressas para o povoado.
O rapaz ajudou a esposa a se acomodar no barco antes de desamarrá-lo para iniciarem a viagem.”
(Trecho do conto Menino-Peixe, do livro Brasa Teimosa)
