
Gostaria de falar sobre a poesia de Ricardo Bahia Rachid, após ter lido seu livro VOU CHAMAR DE LUGAR, MAS PODE SER QUE MUDE. Mas temo que meu verbo tosco macule a beleza de sua arte. Por isso me limito a reproduzir aqui fragmentos do que li.
Num dos cantos de dentro:
“pela primeira vez,
respirei fundo a música
da água
e voei feito um peixe
na transparência do dia.”
Num dos cantos de fora:
“sob as videiras,
A Vênus de Milo bebe o pôr-do-sol.
Você, um café.”
Num dos cantos de todo homem, um
“Regresso
fazer a mala,
acomodar a alegria,
como quem parte de volta,
carregando nuvens.
desfazê-la, peça a peça,
pedra a pedra,
descalçando as lembranças.
sem pressa, as paisagens
ainda cantam o som
das ondas roçando a pele
de quem quis ficar.
lavar a poeira,
sem limpar a saudade do corpo.”

Obrigado, meu amigo!
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