NÃO SE ENTERRAM PESSOAS, ENTERRAM-SE CASULOS.

  (Mais um trecho de AMOR E GUERRA EM VALE MANSO)

Às onze e pouco da noite, suspirou pela última vez e partiu.

   Na sexta-feira à tarde, procedeu-se ao enterro. Cumpriram o seu desejo de ser enterrado na cova que ele mesmo abrira. Porém, deram-lhe o direito a um caixão, que encomendaram direto de Santa Amália. Na funerária de Vale Manso não havia nenhum cujas dimensões fossem adequadas ao pequeno corpo de sô Juquinha, e queriam retirá-lo do postinho o mais cedo possível. Levaram-no para a fazenda de sô Janjão sem fazer muito alarde, evitando que uma multidão comparecesse à cerimônia fúnebre – o que estaria em desacordo com a vontade do morto.

   Compareceram somente os amigos mais chegados, além do padre Antero – a quem sô Janjão achou por bem avisar – e o andarilho e filósofo Asdrúbal Campobello. Este, por acaso, perambulava pelas imediações da fazenda quando chegaram com o defunto. Quando o caixão desceu à cova, ele, mão no queixo, pensativo, o olhar distante, deixou escapar com voz soturna: Não se enganem: não se enterram pessoas, enterram-se casulos.

   Caixão deposto no fundo da cova. Terra jogada por cima. Flores. Soluços. Singela oração do padre. Fisionomias consternadas. Silêncio na caminhada de volta. Enterrou-se a casca de sô Juquinha.  

Foto por Pixabay em Pexels.com

Lembre-se: em breve estarei lançando AMOR E GUERRA EM VALE MANSO, pela Páginas Editora. Conheça também meu canal no YouTube BALAIO DO DURVAL.

Um abraço,

Durval Augusto Jr.

A CASA DOS POETAS MINERAIS, de Leida Reis

“A intenção era erguer um castelo

Trazer histórias da Europa

Contratar inúmeras hostess capa de revista e

oferecer o melhor champanha

Logo na entrada

Fizemos uma casa de adobe

Coamos café, assamos o pão de queijo e

e colocamos um tapetinho na porta

Desses feitos de histórias que contam retalhos

de mães e filhas

Um boiadeiro bonito toca viola

Para os surdos, as pedras e quem mais vier

Chegaram os fantasmas, varreram, cantaram,

São meus amigos e produzem eles mesmos a

farinha

Areiam as vasilhas, tecem passados e presentes

A partir de agora estão comigo

Na casa da Poesia”

O poema acima é apenas uma pequena amostra do que vai deliciar você quando ler o livro A CASA DOS POETAS MINERAIS, de Leida Reis. Acho até que meus comentários são dispensáveis. Apenas peça o seu exemplar e leia!

Adquira diretamente na Páginas Editora, que, aliás, é dirigida pela própria autora.

E não se esqueça: vem aí oo meu novo livro: AMOR E GUERRA EM VALE MANSO

Um abraço,

Durval Augusto Jr.

NOITES PRETAS, de Jalmelice Luz

“Ele chegou à capital em agosto daquele turvo ano de 1979. Aos 16 anos incompletos, trouxera pouca bagagem e muitos sonhos. Os miliares estavam no poder, mas isso não o intimidava, menos por valentia e mais por ingenuidade. Pouco sabia do obscurantismo que um regime dessa natureza é capaz de produzir. Do lugar de onde viera, não se falava sobre o assunto. Portanto, seguirá por caminhos diversos (…)”

   Assim começa a narrativa de Noites Pretas, de Jalmelice Luz. Porém, caro leitor, à medida que você for avançando na leitura, não vai mais conseguir parar enquanto não chegar à última linha dessa tocante história de Charlie – um jovem que ousou ser maior que si mesmo, rompeu barreiras, abraçou um mundo incerto com a determinação de quem não aceita morder a vida pela metade.

(O livro foi publicado pela Páginas Editora. Peça lá o seu!)

E lembre-se: vem aí meu novo livro, AMOR E GUERRA EM VALE MANSO.

Um abraço,

Durval Augusto Jr.

O BURRO E O VULTO – de Ana Clara Milagres

Que sopro de suavidade e delicadeza, e que tocante expressão do que pode haver de melhor na natureza humana expressados por meio de vivências simples protagonizadas por animais!

   O burrinho Faísca, a cadelinha Mel, a patinha Sônia, o mal-humorado coelho Zuzinho e a coruja Maricota nos conduzem àquele universo de tamanha doçura e pureza de almas, que nos fazem acreditar que, em pleno 2022 – tempo de tantas sombras pairando sobre nossas existências conturbadas – pode haver ainda espaço para um sonho bom e esperança de reconstrução de atmosferas verdadeiramente humanas.

   AMIZADE! Essa é a principal palavra! Esse é o sentimento cujo verdadeiro significado devemos resgatar!

   Parabéns e muito sucesso, Ana Clara!

VOU MORRER QUINTA-FEIRA

  Entre as muitas características de meu novo romance, AMOR E GUERRA EM VALE MANSO, uma delas é que existem personagens e fenômenos muito estranhos. Como, por exemplo, o caso de sô Juquinha, um curandeiro e vidente pra lá de esquisito! Confira abaixo um trecho dedicado a esse personagem:

– Não, sô Janjão, fique sossegado. A primeira novidade é que eu vou morrer quinta-feira – e sô Juquinha disse aquilo com tal naturalidade que era como se ele tivesse o hábito de morrer toda semana.

   – Quê isso, amigo! Isso é loucura…

   – Não, sô Janjão, eu sei que vou morrer quinta-feira.

   – Mas como isso é possível?!

   – Me avisaram. Alguém do outro lado me avisou.

   – Que outro lado?

   – O outro lado… O lado dos que já foram. Um amigo de lá apareceu pra mim e me disse que a minha hora chega na quinta-feira. Mas não se preocupe, sô Janjão: já providenciei tudo. Vim apenas pedir ao senhor o favor de me enterrar. Já fiz uma cova lá no meu quintalzinho. Ficou bem caprichada. É só me botar lá dentro e jogar a terra por cima. Não carece nem de caixão. O corpo da gente daí a pouco apodrece mesmo, né… E a alma sobe rapidinho pro outro mundo. Bobagem gastar com caixão.

Confesso que estou ansioso para apresentrar aqui a capa do livro. Aguardem!

Um abraço,

Durval Augusto Jr.

Foto por julie aagaard em Pexels.com

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BICHOS HUMANOS EM LUTA NOITE ADENTRO

Aqui vai mais um pequeno trecho de meu livro AMOR E GUERRA EM VALE MANSO:

Agora a espera prudente deu lugar a intensa troca de tiros. Os disparos, porém, se davam na escuridão e sem que ninguém pudesse vislumbrar sequer a localização dos rivais. Os invasores abateram mais um. Tratava-se do Mosquito, um dos mais queridos companheiros da vila. Do meio da escuridão rugiu uma voz prontamente identificada por todos: Filhos da puta! Mataram o Mosquito! Atira, gente, atira! A gente tem que acabar com esses filhos da puta! E ele próprio, Gabriel, como um bicho brabo, avançava rastejando e atirando em tudo que se movia a sua frente. Seu ódio não tinha limites. Abateu dois inimigos e seguiu atirando. Seus companheiros o imitavam. E não havia mais silêncio, só gritos e disparos de ambos os lados. De cada garganta brotava gritos de ódio que assustavam os invasores e atiçava o desejo de luta dos habitantes da vila.

   As mulheres foram se aproximando de seus companheiros, todas de armas em punho, ocultas entre arbustos, imitando os outros.

   Os disparos prosseguiam e, de ambos os lados, de vez em quando se perdia um ou outro homem. As sombras dificultavam a identificação dos esconderijos. Gabriel insistia com seus gritos, incentivando os companheiros. Seu ódio não se arrefecera. Em dado momento, alguém gritou ao seu lado, como se o imitasse: Vamos acabar com esses filhos da puta! Fogo neles, gente! Ele prontamente reconheceu aquela voz. Tratava-se de seu amigo Getúlio. Uma presença inesperada que aumentou ainda mais o ânimo do amigo.

Foto por Francesco Ungaro em Pexels.com

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AMOR E GUERRA E EM VALE MANSO

Pois é, não dá mais pra segurar! Ainda leva um certo tempo para eu ter a minha disposição a capa do livro, que se encontra ainda na editora. Mas o título é este: Amor e guerra em Vale Manso.

Reproduzo aqui um pequeno trecho da história:

Sentou-se ao lado dela e usava um pedregulho para escavacar o solo, como se aquele fosse apenas mais um encontro com uma pessoa qualquer. As palavras, no entanto, lhe fugiam. Seu coração batia forte, embora tentasse ocultar o quanto se sentia tocado pela presença dela. Os olhos ainda estiveram voltados para o chão por segundos. Ele era de novo um adolescente. Mas aquela questão de honra que todo macho pensa que deve obedecer falou mais alto. Ele se virou para ela, fitou-a de novo nos olhos, tocou-lhe os cabelos de leve, e proferiu palavras sem muito sentido. Mas nem um nem outro procurava sentido nas palavras. Instantes depois se beijavam.

   Os corpos não queriam se separar; rolavam sobre a grama fresca, engalfinhados, trocando carícias urgentes. Mãos violentas e apressadas se livravam das roupas inúteis. E se amaram ali mesmo, ao ar livre, ignorando os latidinhos finos de Diana, que parecia nada entender daquilo.

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DESVENDANDO A LINGUAGEM DOS ASTROS

Sim, eu sou astrólogo também! Em 2019 decidi escrever um livro que servisse como um apoio àquelas pessoas que já estudam ou que têm interesse em estudar e entender um mapa astral. A Astrologia tem sido muitas vezes desprezada por algumas pessoas, umas por simples desinteresse “nessas coisas”, outras por considerarem que “pessoas inteligentes não devem levar essas coisas a sério”. Mas o Universo é um ser que se manifesta em tudo, e é energia, e energia inteligente. Tudo está conectado e coordenado por essa energia inteligente universal. Os astros, portanto, também expressam essa energia inteligente e se fazem espelhar em tudo que nos rodeia, inclusive nossa própria natureza individual. O que não se pode é imaginar que Astrologia é mero estudo de signos zodiacais.

Lancei o livro em plena pandemia e creio que ele tem sido útil a muitos que desejam se aproximar um pouco mais desse fascinante campo do conhecimento humano.

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QUERO MATAR O PREFEITO

QUERO MATAR O PREFEITO é outro livro de contos, lançado em 2017, pela Scortecci Editora. Como o anterior, também apresenta 30 histórias e, como sempre, mescla pinceladas de humor misturadas aos dramas humanos.

Na contracapa coloquei trecho de um dos contos: “Rugas, meu filho, não são mais que cemitérios de sonhos.”

“Cemitérios de sonhos?”

“Sim, nossos sonhos são como flores tenras, coloridas, perfumadas, que um dia murcham, secam, vão diminuindo, enquanto uma ruguinha vai se formando em nosso rosto. Quando a ruguinha está pronta, o defuntinho de sonho vem e se aloja no fundo dela.”

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A ALJAVA DE CUPIDO

A Aljava de Cupido é a reunião de trinta contos selecionados dentre todos aqueles que eu havia escrito até então (2016). Procurei, nesta coletânea, agrupar somente histórias que abordam o relacionamento entre pessoas de vários perfis psicológicos, seus dramas, suas buscas, seus conflitos, sonhos, angústias, conquistas, decepções – sempre preservando espaço para o cômico e o inusitado.

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