Considero que todos nós, em alguma medida, tendemos a interpretar mal o sentido da palavra felicidade. O mais das vezes ela é vista como algo pelo qual precisamos lutar para alcançar e que se encontra fora (e muitas vezes longe) de nós.
Partindo desse pressuposto (de que a felicidade é algo que está fora de nós), seria ela um contentamento alcançado pela conquista de um grande amor? Ou pela conquista de uma posição social relevante? Ou pela aquisição de um carro de luxo, uma bela casa, um iate? Ou mesmo o contentamento por se ter boa saúde?
É preciso se acostumar com a ideia de que felicidade é uma condição da alma que alcançamos pela evolução de nossa consciência. Acrescente-se aqui que a evolução da consciência não se consegue com uma montanha de diplomas, embora os diplomas sejam bem-vindos. Uma consciência evoluída pode se encontrar até mesmo numa pessoa analfabeta.
Uma pessoa que alcançou tal nível de evolução da consciência sabe que a felicidade é condição prévia para alcançar o que se deseja, e não o contrário. Ou seja: não são nossas conquistas que nos proporcionam a verdadeira felicidade, é o estado de felicidade de nossa alma que nos sintoniza com o que almejamos.
A alma feliz nutre pensamentos e sentimentos positivos que nos sintonizam com o bem universal. Pessoas infelizes, que nutrem pensamentos e sentimentos negativos não podem, mesmo a poder de muita oração ou rezas, entrar em sintonia com o manancial de benesses que se encontram a nossa disposição nos domínios da inteligência universal, que os físicos chamam de Princípio Antrópico Forte, e que eu não tenho vergonha de chamar de Deus.
A palavra-chave é sintonia. Tudo no universo se interliga por meio de ondas energéticas. Sintonizar-se com o bem exige, portanto, ter o bem previamente dentro de si. Ondas de tristeza, ódio, medo etc. não podem se sintonizar com nada que preste!
Pessoas felizes não são felizes porque conquistaram o que desejavam: elas conquistaram o que desejavam porque são felizes.
Pelo exposto, podemos deduzir, por outro lado, que o estado prévio de felicidade das almas evoluídas elimina a necessidade de se buscarem coisas externas na esperança de preencher um vazio existencial. Logo, pessoas felizes alcançam o que desejam, mas não creio que elas lutem por grandes posses ou posições sociais relevantes. Se estas chegarem a elas, saberão da responsabilidade de seu uso em prol do bem. Também saberão de seu caráter circunstancial e transitório.
Se você ganhar alguns milhões na loteria, alegre-se, comemore. Mas não confunda essa alegria com a verdadeira felicidade, que, suponho, é conquista interior de almas evoluídas. Suponho apenas, pois ainda busco essa evolução.
